| Carro velho - Broxante sobre rodas |
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Ter um carro bonito, potente e novinho em folha é fácil. Quero ver manter a pose dentro de um cacareco fumegante! "Mas por que os homens tem esta mania "machista" de dar tanto valor assim aos carros?" Machista?!!? Oras, minha filha, por acaso você se encantaria com o "cavaleiro prateado" se ele chegasse em cima de um jegue? E o Batman, por acaso ele conseguiria algum respeito dos bandidos se o batmovel fosse um Fiat 147? Pena que muitas vezes o que chamamos de carro, parece ter o poder de espantar todas as mulheres em um raio de centenas de quilômetros... Seja pela cor horrível ( laranja ou amarelo ovo, por exemplo) ou pelo estado deplorável da lataria, desde muito cedo descobrimos que não basta apenas ter um carro: é preciso que ele seja capaz de nos ajudar a conseguir mulheres!!
Muito bem, se ele for capaz de fazer com que você tenha "coragem" de entrar no refugo de ferro velho, antes de colocar a chave na ignição e rezar para o motor pegar "de primeira", ainda assim o cara vai te dar aquele sorriso amarelo e imaginar: "Será que ela vai me dar uma segunda chance?" . Como todos nós sabemos que o motor nunca pega na primeira, depois de meia hora rateando (Nhém!...Nhém!..Nhém!), heis que a lata velha vai tremer toda, e, depois de uma explosão capaz de chamar a atenção de todo mundo, finalmente vai pegar. Caramba! Se você já estava morrendo de vergonha de ser vista entrando dentro daquela porcaria de carro, imagine como se sente ao atrair a atenção de toda vizinhança com uma "salva de canhões"? Você vai querer mesmo é morrer: "Meu Deus! O que faz a falta de sexo: como eu pude ter coragem de sair com este cara!?" Mas a vida é assim para quem não tem carro novo: um dia a gente ganha e nos outros milhões de dias, até tomar coragem de jogar a lataria velha fora e comprar algo menos medonho, a gente perde!
Tem homem que parece se divertir com os defeitos que o carro vive acumulando. Sei lá, parece que carro velho desperta o "McGiver" que existe dentro de nós. Já reparou como todo dono de velharia adora resolver os problemas com grampos de cabelos, carvão de pilha, arame, palito de fósforo, e até coisas mais bisonhas, como usar esmaltes de unhas para retocar a pintura? Que me desculpe meu amigo, Roberto, mas eu não podia deixar de contar que ele costumava roubar os esmaltes de sua irmã e cobria os pontos de ferrugem do seu fusca "vermelho-ki-suco"! Olha, o carro tinha tantos tons diferentes de esmalte, que mais parecia uma obra de Salvador Dali. E o pior é que ele sente tanto carinho pelo carro, que mesmo tendo evoluído e comprado outros carros, nunca abriu mão dele, reservando-lhe um lugar de destaque em sua garagem.
Pior que ter carro velho é não ter dinheiro para colocar gasolina. E o engraçado é que o bendito carro sempre resolve parar bem longe de um posto de gasolina, já reparou? Imagine a cena: vamos dizer que você adorou ter conhecido aquele gatão na balada, mas acabou entrando em estado de choque quando viu o estado deplorável do seu possante (de juntar poça de óleo). Então, apesar dos pesares, resolveu aceitar uma carona. Depois de ter conseguido se ajeitar naquele banco velho, que não pára de ranger um segundo, finalmente você consegue relaxar. E nada melhor que escutar um som, mesmo que seja de um rádio am/fm movido a válvulas. Só tem um pequeno detalhe: se ligar o rádio o carro não pega. E se pegar, mal vai conseguir saber o que está tocando, tamanha a chiadeira que sai dos auto-falantes. E como é mais que natural, ainda enfeitiçada pelo seu "novo amor", ao perceber que a carroça parou de repente, bem no meio de lugar nenhum, de preferência em alguma quebrada escura e deserta deste mundão, você acha que tudo não passa de uma "parada estratégica", para que possam dar uns catas mais calientes, certo? Pena que você descobre que o lance não é tão romântico assim: O tanque está seco!
Pronto, agora fudeu de vez! Sim, porque depois desta você vai se sentir mais seca que o deserto do Saara. Mas não pense que terminou, não! Como eu disse: o posto de gasolina sempre fica muito distante. E nessa hora você vai ter que escolher entre ficar dentro do carro, bem no meio de um lugar ermo, correndo o risco de ser atacada por algum tarado, ou caminhar um século do lado dele. Mas que cena linda: você, tentando se equilibrar em cima dos seus saltos, suando sem parar, ao lado de um cara com uma garrafa plástica de refrigerante vazia, vendo um monte de gente passando em seus carros, todas alegres e saltitantes. E nessa hora você não sabe se reza para algum conhecido passar e te dar uma corona pra bem longe dalí, ou se acha melhor que ninguém fique sabendo que entrou nessa "barca furada". É minha filha...acho melhor guardar o fôlego porque depois que encherem a maldita garrafinha de gasolina vocês ainda tem têm um longo caminho de volta até o carro. E como seria bom se a volta fosse em silêncio, mas ele não pára de falar: "Desculpa, gata. Foi mal...E aí, vamos dar uma paradinha alí no poste pra dar um beijinhos?" "Beijinho?!!? Vai beijar o rabo gordo da sua mãe seu filho da puta!!" Tudo bem, pode ser que ele seja um cara super prevenido e encha bem o tanque de gasolina antes de saírem. Só tem um detalhe: carro velho sempre vai dar um jeito de quebrar. É sina, minha filha!
Ou seja: depois de várias tentativas, quem vai ter que empurrar o carro será você! Fala a verdade, só de imaginar a cena já ficou com os pêlos da nuca arrepiados, não foi? Então, aproveita e faz o sinal da cruz, meu filha!!! Porque você vai estar com meio palmo de língua de fora, se matando de empurrar o calhambeque, enquanto ele fica gritando de dentro do carro: "Empurra com mais força que é para pegar embalo, amor!!!" Tadinha...Vai acabar com os saltos dos seus sapatinhos. www.revistaandros.com.br - © Copyright 2008 - Revista Andros |
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