Cabaré Barra Pesada

Nestes quase oito anos de Revista Andros, esta matéria sobre um puteiro bem barra pesada, feita em 2003 foi uma das que mais gostei de fazer.


Depois de conhecer alguns pontos requintados de prostituição em São Paulo, onde as garotas cobram pequenas fortunas por seus serviços sexuais, resolvi conhecer o outro lado da prostituição. O lado pobre e miserável, onde as prostitutas cobram a partir de R$ 10,00 por uma transa!

Sim, foi isto mesmo que você leu: DEZ REAIS!

Quem me levou para um "cabaré", no bairro de São Miguel Paulista, foi um amigo, Tonho, um pernambucano louco por uma farra! Depois de me dar um monte de dicas para não cometer nenhum vacilo - como me descuidar da carteira ou ficar longe dele e de mais outros dois colegas- entramos em um lugar que mais parecia ter saído de um destes filmes do Quentin Tarantino! Lembram do filme "Um Drink no Inferno"? Pois o lugar era bem pior!

"Vem fazer neném comigo!", é uma das maneiras "sensuais" que algumas prostitutas costumam chamar os fregueses para os quartos. Outra forma mais direta é sentar com as pernas abertas, sem calcinha, e deixar ver a periquita peluda.

O lugar lota, na verdade bomba com tantos clientes. E fedia tanto que parecia um chiqueiro. O som que tocava era forró, música brega em geral e era ensurdecedor. Como era de se esperar, as "profissionais do sexo" que circulavam entre as mesas, pareciam saídas do fundo do inferno!

Nunca vi tanta mulher feia reunida em um só lugar.

Todas andavam com o mínimo de roupas possível, deixando seus barrigões enormes à mostra. As bundas, todas enormes e cheias de estrias e celulites, pareciam querer saltar dos shortinhos minúsculos, que elas faziam questão de enterrar no rego! As maquiagens quase sempre se resumiam ao batom "vermelho-sangue" e sombras coloridas, bem carregadas nos olhos.

Sinceramente, não consigo entender como um homem tem coragem de pagar para fazer sexo em um lugar daqueles.

Talvez a resposta do meu amigo Tonho sirva para explicar:

"Mulher é tudo igual, o que muda é a aparência!"

Tirando o lado filosófico de sua observação, acho que para muitos homens o que importa é estar com uma mulher. Ainda mais porque a clientela é quase toda composta por migrantes, gente que está sozinha em São Paulo, longe de casa e muito carente por sexo. Se bem que a clientela não é lá estas coisas em matéria de beleza, não!

O lugar é bem popular com cerveja a três reais, porção de mandioca frita, carne-seca com farinha, sem contar o caldo de mocotó e a cachaça de alambique que são vendidos aos montes!

Agora, dar um picote com o bucho cheio de caldo de mocotó é algo realmente impressionante.

O sexo é praticado em quartos minúsculos, um do lado do outro, que ficam em um corredor enorme, com um banheiro no final, que serve como um verdadeiro "Lava - Rápido de pintos e Xerecas". Sim, porque depois de cada programa, a garota pega o cara e leva para o banheiro, onde os dois, com as portas abertas mesmo, lavam os brinquedinhos.

Contei mais ou menos quinze quartos, entre o andar térreo e o andar superior! Também calculei a média de três clientes por hora, por prostituta. Menos uma "galega de zóio azul", novata, por isso bastante requisitada, que mal tinha tempo de respirar. Diante da grande procura, escutei uma das mulheres mais velhas fazendo um comentário, até certo ponto invejoso: "Se continuar assim, esta galega vai estar tão acabada que ninguém mais vai querer".

Pelo menos nestes locais, as profissionais não ficam inventando nomes para definir o que fazem, como scooter, garotas de programa ou acompanhantes. Putas são putas e os lugares são chamados de puteiro, zona ou cabaré, mesmo!

Como deixei claro, as prostitutas mais novinhas e menos feias são as mais assediadas. Também são as que mais cobram caro pelo programa: trinta reais, podendo chegar a quarenta, dependendo do cliente.

O sexo funciona no estilo "gozou acabou". Ou seja: o cliente tira a roupa, deita na cama imunda, goza e se manda dando lugar para outro! Qualquer semelhança com uma linha de montagem, não é mera coincidência. As mulheres só têm tempo de dar uma lavadinha e enxugar, por isto muitas preferem andar só de calcinha para não gastar muito tempo tirando a roupa.

Com relação à freguesia, o pessoal é bem barra pesada e arrumar confusão pode significar perder a vida. Por isso é muito importante ser humilde e não esbarrar em ninguém para não dar motivos. No salão enorme, com as paredes pretas de tanto mofo, iluminado por algumas lâmpadas vermelhas, os casais se espremiam, dançando ao som de Calcinha Preta , Amado Batista e outras "obras-prima" da música brasileira!

Higiene é uma palavra que não consta no dicionário local.

Muitas costumam exaltar seus serviços sexuais, dizendo que deixam gozar na boca e fazem sexo anal sem "frescura"! Claro, afinal como é possível alguém ter algum tipo de frescura transando por um ninharia?

>Outra coisa bem interessante é descobrir que o maior tabu entre as prostitutas, o beijo na boca, é usado como mais um serviço.

Agora, cá entre nós: quem tem coragem de beijar uma mulher que deixa dezenas de clientes "gozar na boca sem frescura"?

A cada dez minutos, algum infeliz colocava uma música do Bruno e Marrone para tocar. Juro que tomei um ódio mortal do maldito refrão: "Eu dormi na praça, pensando nelaaaaaa!"

Se eu comi alguém? Claro que não!! Por 10 paus eu prefiro um Big Mac e uma coca-cola.

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